Helio de La Peña lança Meu Pequeno Botafoguense

“Minha família era toda de vascaínos. De sacanagem virei botafoguense”. A frase é típica do seu autor. Helio de La Peña, humorista nacionalmente conhecido da trupe do Casseta & Planeta, é o autor do livro Meu Pequeno Botafoguense, décimo segundo volume da série Meu Time do Coração, criada pela Belas-Letras, com o objetivo de resgatar a magia do futebol para as crianças por meio da literatura e estimular o surgimento de novos torcedores. O lançamento oficial e a noite de autógrafos acontecem no próximo dia 13 de abril, às 19h, na Saraiva Megastore do Shopping Rio Sul (Av. Lauro Muller, 116 – Botafogo).
A convite da Editora Belas-Letras, Helio de La Peña escreveu o livro, que tem como personagem principal um garoto, com o nome sugestivo de Jair que, num sonho, faz uma viagem pelos principais momentos da história do Botafogo. As ilustrações ficaram a cargo do premiado cartunista Aroeira.
A intenção de Helio foi mostrar que o Botafogo tem tudo a ver com o Brasil; ele cita como principal exemplo o nosso prato típico: o feijão e o arroz, preto e branco. Ele buscou mostrar tudo isso de uma maneira divertida e sob o ponto de vista de uma criança fanática, alegre, supersticiosa e nascida em berço alvinegro. “O garoto, na noite de sábado, dorme de uniforme e sonha que é parte da história do Glorioso, desde sua fundação, passando pelos principais momentos da história, inclusive relatando encontros com Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho, suas superstições e como se sentiu com as vitórias e as derrotas do Botafogo. Tudo termina com ele acordando no domingo e indo ao jogo do Fogão, numa Kombi, ao lado de gente muito interessante. É uma surpresa”, afirma.
Hoje presença constante do cotidiano alvinegro, Helio tem como sua primeira lembrança de torcedor os 4 x 0 sobre o Vasco da Gama, em 1968, que resultou no bicampeonato carioca de 1967/1968. Escrever Meu Pequeno Botafoguense foi, para ele, uma oportunidade única de transportar sua paixão para o papel.
“Adorei escrever esse livro e procurei, em vez de contar minhas experiências como torcedor e ser o personagem da história, criar um garoto de nome Jair que, de uma vez só, me faz relembrar as principais passagens do Glorioso e homenageia meu maior ídolo, Jairzinho”, explica Helio, que ainda faz questão de valorizar a importância das ilustrações de Aroeira. “As imagens dão ainda mais vida às histórias que são contadas no livro.”
Meu Pequeno Botafoguense é um produto oficial e licenciado do Botafogo, editado pela Belas-Letras. Entre outros, já foram lançados os títulos Meu Pequeno Gremista, escrito por Humberto Gessinger, Meu Pequeno Colorado, de Luís Augusto Fischer, Meu Pequeno Corintiano, de Serginho Groisman, Meu Pequeno Rubro-Negro, de Gabriel o Pensador, Meu Pequeno Tricolor, de Evandro Mesquita, Meu Pequeno Vascaíno, de Fernanda Abreu, Meu Pequeno Palmeirense, de Soninha Francine e Meu Pequeno São-Paulino, de Nando Reis.
O próximo lançamento previsto é o livro do Atlético-MG, com texto do compositor Wilson Sideral, e o do Cruzeiro, com texto do músico Marco Túlio, do grupo Jota Quest.

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O erro e o riso

por Gilmar Marcílio

Elas se magoam por tudo. Uma palavra mal colocada numa conversa, um olhar com supostas segundas intenções, um atraso de cinco minutos. Você também deve conhecer criaturas que vivem colocando tudo na balança. Ficamos desencorajados de tentar uma aproximação maior, pois nunca se sabe ao certo se corresponderemos às expectativas.

O contrário: gente leve, que não nos obriga a adotar sua forma de ver e de sentir a realidade. Ando muito interessado em encontrar esses espécimes raros, pois o peso e a gravidade andam progressivamente tomando conta das pessoas. Convenhamos, não dá para medir com régua cada palavra, cada atitude. O improviso é sempre mais interessante - pena que não seja tolerado pelos que se chocam facilmente. Esses vivem numa camisa de força, achando que os outros têm que ser um modelo completo e acabado do que eles são. Como é difícil ficar próximo de seres definitivos. Tudo sempre igual, para não correr o risco de ter que inventar alguma coisa.

Com o passar do tempo, nossa tendência é a da acomodação. O desconhecido passa a assustar. Ainda assim, acredito que seja possível seguir outro roteiro. E nele não cabem os que se sentem insultados pelo diferente, por aqueles que se permitem ousar, e que apostam na surpresa. Incomodar-se porque a vassoura foi guardada com as cerdas para baixo? Ou porque não apertamos a tampa do creme dental? Miudezas que nada são diante do que verdadeiramente conta. Já não tenho mais paciência nem saúde para esse tipo de convivência.

Gosto de pensar na escassa importância que quase tudo tem. Poucas coisas merecem ser levadas realmente a sério. É só a gente aprender a se distanciar um pouco do fato que nos perturba para descobrir que costumamos fazer muito barulho por nada, ou quase nada. Mudar o foco é uma boa estratégia para deixarmos de ser tão severos conosco e com os outros. Tudo é uma questão de disciplina. De treino. Não vale ficar dizendo para todo mundo que “eu sou assim e não consigo mudar.” Custa tempo e às vezes um bom dinheiro em terapia, mas dar a questão por acabada é ser reducionista.

Conheço uma mulher que fica escandindo as palavras como se estivesse prestando exame oral para a carreira diplomática. É quase possível visualizar a pontuação e os acentos quando profere uma frase. Parabéns para ela, que devorou inúmeros livros de gramática e resolveu pôr tudo em prática. O que não dá é sair por aí achando que todos devem conversar em português castiço. Mas o fato é que ela se choca quando alguém comete um deslize verbal. Leia-se: o mundo seria bem melhor se as pessoas fossem como eu. Não é assim que nasce o desejo de totalitarismo? De ver todos usando o mesmo uniforme? Vamos relaxar, portanto, que os cemitérios estão cheios de criaturas que se imaginavam infalíveis e insubstituíveis.

A melhor prática para a elasticidade da alma ainda é o erro. E o riso. Um escorregão aqui, outro ali. Que alívio não precisar ser perfeito. E parar de sofrer quando não conseguimos uma ISO 9000 para nós mesmos. Não vamos nos torturar por detalhes. Melhor guardar nossas forças para o exame final. Por enquanto, estamos só ensaiando.


Publicado com a permissão do autor. Gilmar Marcílio é escritor, filósofo e coordenador da Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim. Publica suas crônicas em jornais desde 1998.

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Meu Pequeno Botafoguense à venda

No próximo dia 5 de março estará à venda pelo site da editora o livro Meu Pequeno Botafoguense, com texto de Helio de La Peña, da turma do Casseta & Planeta, e ilustrações do premiado Aroeira. A sessão de autógrafos com os autores acontecerá na primeira quinzena de abril, no Rio de Janeiro.

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